| Título original: Sense and Sensibility Autor: Jane Austen Editora: Martin Claret Número de páginas: 453 Ano de publicação: 1811 (edição lida: 2017) ISBN: 9788572328746 Nota: 3/5 |
Eu vivo no mundo dos livros desde que me entendo por gente, desde que meu passatempo favorito era ficar lendo gibis da Turma da Mônica.
Lembro que, quando fui ficando maiorzinha (na idade mesmo, porquê sempre fui muito alta), a vontade de ler livros mais "grossinhos" e com temáticas diferentes foi adentrando meu coração e daí eu comecei a ler os meus primeiros romances.
Mas foi só na época em que eu adentrei no mundo da blogosfera, dos "bookbloggers" e "booktubers" que eu vi meu interesse por ler clássicos ingleses triplicar de tamanho. E aí eu ouvi falar nas obras de Jane Austen.
"Orgulho e Preconceito", por ser a sua obra mais famosa, foi a que mais me despertou curiosidade (tanto é que a adaptação de 2005 é um dos meus filmes favoritos da vida), mas demorou certo tempo para que eu adquirisse algum livro da autora.
Com uma vontade louca de ler Jane Austen desde 2011, acabei comprando seus 6 romances de uma única vez 7 anos depois e resolvi lê-los por ordem de lançamento, o que acabou por ser uma surpresa extremamente agradável.
Razão e Sensibilidade foi um livro que comecei com altas expectativas, sério. Com tanta gente, tantas resenhas vistas ao longo de sete anos, fizeram com que minhas expectativas fossem as maiores possíveis, e, devo dizer, que fui tombada com certa decepção.
Longe de mim falar que o livro é ruim. É uma obra maravilhosa, mas eu esperava um pouco mais, sabem?
O livro conta a história das irmãs Dashwood, especialmente Elinor e Marianne, que seriam, respectivamente, a "razão" e a "sensibilidade", mas vou logo tratando de deixar claro que ambas tem seus momentos específicos em demonstrar ambos os sentimentos.
Elinor é a irmã mais velha, a mais responsável e imensamente devota à mãe e as irmãs, especialmente Marianne.
Já Marianne é a irmã do meio, uma adolescente na transição dos 16 para 17 anos, com os hormônios enlouquecendo dentro dela própria, incapaz de controlar seus comentários e de esconder seus sentimentos.
Ao longo da narrativa vamos sendo apresentadas a personagens secundários como a mãe das meninas, o irmão delas e sua esposa, os vizinhos extremamente empolgados e fofoqueiro, bem como os nossos "mocinhos", Edward Ferrars e coronel Brandon.
Talvez eu tenha considerado Edward mais mocinho do que o coronel por razões de: ele é o objeto de afeto de Elinor, enquanto o coronel Brandon nutre sentimentos fortes, porém não correspondidos, por Marianne, que devota toda a sua afeição ao Willoughby. E nesse contexto a história se desenvolve.
"Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras". Página 82
Sendo bem sincera, eu adorei a escrita da Jane desde o início do livro, mas sabe quando a leitura demora pra fluir? Ainda não sei se é característico da própria autora manter um início um pouco mais parado e movimentar tudo do meio pro final, ou se foi apenas neste por ser seu primeiro lançamento.
Apesar de possuir uma escrita mais densa, Razão e Sensibilidade consegue fisgar o leitor nos seus pequenos detalhes.
As críticas sociais estão presentes na maior parte da obra, por as protagonistas serem vindas de uma família relativamente pobre (com um lucro de 1500 libras por ano) ou por mostrar como pessoas ricas extremamente egoístas como o próprio John Dashwood (meio-irmão das nossas protagonistas) e sua esposa, Fanny.
É um livro com uma carga dramática relativamente grande, especialmente do meio para o fim, com reviravoltas tanto para Marianne quanto para a própria Elinor.
Me surpreendo com a capacidade de Elinor de não demonstrar seus próprios sentimentos. Ela exala preocupação e dedicação ao sofrimento da irmã, embora ao mesmo tempo esteja lutando suas próprias batalhas.
"Quando a mente não quer ser convencida, sempre encontra algo para inspirar-lhe dúvidas”. Página 214
Não considero um livro com um final de todo feliz, por conta de todas as circunstâncias e acontecimentos ao longo do enredo, mas é uma leitura que consegue ser extremamente atual, mesmo com seus duzentos e poucos anos de existência.
Foi um dos livros que mais demorei a ler na minha vida inteira, justamente por achar uma narrativa pouco movimentada inicialmente e resolvida muito rapidamente no final, e por não ter tanta identificação com suas personagens, inclusive com as protagonistas. Tinham certas atitudes, tomadas por ambas, que me irritaram profundamente, mas também houve momentos onde tudo o que eu queria fazer era colocá-las dentro de um potinho e protegê-las de todo o mal do mundo.
Não foi um excelente começo com as obras da autora, mas foi, com certeza, uma leitura imensamente agradável. Jane Austen teve essa capacidade incrível (e de opinião unânime haha) de ter criado um contexto tão aplicável atualmente, principalmente no que se trata de preconceitos e sentimentos. Apesar de tudo, estou mais do que ansiosa para ler os outros livros da autora.
Não foi um excelente começo com as obras da autora, mas foi, com certeza, uma leitura imensamente agradável. Jane Austen teve essa capacidade incrível (e de opinião unânime haha) de ter criado um contexto tão aplicável atualmente, principalmente no que se trata de preconceitos e sentimentos. Apesar de tudo, estou mais do que ansiosa para ler os outros livros da autora.
xoxo
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